FROM SCRATCH NEWSWIRE

SCAVENGING THE INTERNET

DESRESPEITOSA INVASÃO DE MINHA PRIVACIDADE (Brasil)

Posted by Gilmour Poincaree on October 31, 2008

30 de Outubro de 2008

por Zé Dirceu

Em artigo com o título “O Rio resgatou o direito de sonhar” publicado no Jornal do Brasil na 2ª feira (20.10) e na Gazeta Mercantil na 4ª feira (22.10), o jornalista Augusto Nunes abandona a sempre sóbria, providencial e oportuna argumentação política e desfecha uma série de ataques pessoais contra mim. Vai mais longe: invade a privacidade de família e atinge, também, a intimidade de minha ex-mulher, Clara Becker, com quem tenho um filho, Zeca Dirceu, hoje prefeito de Cruzeiro do Oeste (PR).

O artigo – o título já não deixa dúvidas – é um aberto e inconteste manifesto de engajamento do jornalista em defesa do deputado Fernando Gabeira, seu candidato e do PV-PSDB a prefeito do Rio no 2º turno da eleição desse ano. Até aí, nada demais, eu mesmo reconheci, já de público, e por mais de uma oportunidade, o direito do articulista e de quaisquer outras pessoas de optarem por um candidato e o defenderem, engajados em sua campanha, inclusive.

Mas no texto, o autor extravasa toda a sua revolta por eu ter contestado, em e-mails publicados nas seções de cartas do Jornal do Brasil e da Gazeta Mercantil, versão publicada por ele e por outros sobre encontro meu com o deputado Gabeira, ocorrido há já longínquos 5 anos.

Contestei porque a versão publicada é distorcida em tudo sobre essa reunião – seus motivos, quem participou, como ela se deu etc. O jornalista se irritou por eu ter reposto a verdade dos fatos e os dois jornais terem publicado os meus esclarecimentos.

Não vejo razão para isso porque em todas as minhas manifestações a respeito, inclusive nessa carta em que corrijo a versão difundida, eu tenho destacado que a ex-ministra do Meio Ambiente, senadora Marina Silva (PT-AC), e o ex-presidente nacional do PT, deputado José Genoino, testemunharam e podem ser ouvidos sobre o que ocorreu naquela ocasião. Augusto Nunes preferiu não ouvi-los.

Ao invés de fazê-lo, não só ele, mas toda a mídia, têm, sistematicamente, insistido na divulgação da versão errada do fato. No entanto, mais grave que a série de ataques pessoais desfechada contra mim no artigo publicado no Jornal do Brasil e na Gazeta Mercantil, é a invasão da privacidade da senhora Clara Becker.

Até porque ela é uma cidadã que não se envolve, e jamais se envolveu em sua vida, em questões públicas. “Não sou militante política e nunca fui”, é uma definição dela em carta que escreveu em outubro do ano passado a um autor de novelas da Rede Globo que anunciou ter criado um personagem (de novela) inspirado em mim e no meu casamento com Clara Becker.

Não é minha intenção entrar em reminiscências e tratar nesse artigo que escrevo do fim do meu relacionamento com Clara Becker, porque estaria incursionando em seara familiar. Mas o próprio autor do artigo o fez no seu texto ao registrar que eu teria me levantado de uma mesa e partido, encerrado meu casamento com uma sintética frase: “Volto já”.

Declinou, assim, um assunto que nem deveria ter entrado no texto, mas que entrou de forma distorcida. É Clara que, com sua carta, de novo repõe os fatos nos seus devidos lugares: “(…) Não fui abandonada por José Dirceu. Com a anistia, ele pediu que eu e meu filho fossemos com ele para São Paulo. Chegamos a viver algum tempo juntos na capital paulista, mas eu tinha aqui em Cruzeiro do Oeste uma família que dependia de mim (pai, mãe, duas irmãs e meu filho) e a vida em São Paulo era muito dura. Eu tomei a iniciativa de voltar para Cruzeiro do Oeste”.

Clara, aliás, conforme registra nessa sua carta, supunha estar sendo obrigada a tratar do assunto publicamente uma única vez: “Pela primeira e última vez, quero falar sobre detalhes de minha vida com José Dirceu, expondo minha intimidade em público, à minha revelia. É que não suporto mais ver repetidas as mentiras, as distorções, as agressões relativas a algo sobre o qual somente eu e ele podemos dizer, com clareza, o que aconteceu.”

Encerro nesse ponto rememorações e contestações de natureza familiar e pessoal. Assuntos privativos da intimidade das pessoas podem até ser mais contundentes num processo desses, mas em 40 anos de vida pública, jamais incursionei nesse campo e não seria agora que começaria a fazê-lo. Todos nós sabemos que uma polêmica travada nos níveis pessoal e familiar pode até se mostrar mais apaixonante para o público, mas pode ser facilmente reduzida a pó na medida em que descamba para o desrespeito e o irracional.

(Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 6)

(José Dirceu – Ex-ministro chefe da Casa Civil)

CLICK HERE FOR THE ORIGINAL ARTICLE

PUBLISHED BY ‘BLOG DO ZÉ DIRCEU’ (Brasil)

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: